HAICAIS

em primeiras e rés
o beija-flor maneiroso
na conquista da flor

Débora Novaes de Castro
(in Soprar das Areias, p.25)


sol no nascente
licores de pitanga
manhãnzinha

Débora Novaes de Castro
(in Aljôfares, p.40)


o galho era seco
a flor - só miragem
o pássaro - de papel

Débora Novaes de Castro
(in Sementes, p.45)


dez dracmas -
na perdida e achada
o maior anelo

(Lucas 15: 8-10)
Débora Novaes de Castro
(in Um Vaso Novo..., p.81)


Dorcas
benfeitora dos pobres
pano – linha – fogão

(Atos 09: 36-41)
Débora Novaes de Castro
(in Um Vaso Novo..., p.83)


***

TROVAS

Juntando juncos, retalhos
no bom arranjo da tralha,
foram surgindo espantalhos
dos louros sonhos da palha!

Débora Novaes de Castro
(in Das Águas do Meu Telhado, p.11)


De repente vêm as trovas
num galope cadenciado
e vão surgindo outras novas
das águas do meu telhado!

Débora Novaes de Castro
(in Das Águas do Meu Telhado, p.9)

A gente quando se casa,
o "pra sempre" não é mais;
hoje, se casa e descasa,
antigamente, jamais...

Débora Novaes de Castro
(in Das Águas do Meu Telhado, p.22)


Com o nome de Jesus,
alguém há que batizado;
mas Cristo, o da rude cruz,
só Jesus crucificado.

Débora Novaes de Castro
(in Um Vaso Novo..., p.76)

Se viver te custa tanto
como um fardo a carregar,
só Jesus te seca o pranto
e te ampara ao caminhar.

Débora Novaes de Castro
(in Um Vaso Novo..., p.76)

***

POEMAS

ARROZAIS

Bati no portal de ferro
e ele não
não se abriu.

Esmurrei
montanhas
e minhas mãos
se feriram.

Chorei.
Minhas lágrimas
inundaram arrozais
preparando moivas
para as bodas!

Débora Novaes de Castro
(in Catavento, p.12)

MANÁ

Meus versos são anjos,
anjos de asas brancas
levando cestos e cestos de rosas
para jogá-las das alturas...
Elas cairão despetaladas
como o "maná do deserto"
talvez que despercebidas
mas vestindo a terra de noiva!

Débora Novaes de Castro
(in Sinfonia do Infinito, p.27)


SARSA ARDENTE

Uma prece
um querer em febre
e a "sarsa ardente do deserto"
consumindo-nos a alma
descalçando-nos os pés.

Débora Novaes de Castro
(in Sinfonia do Infinito, p.49)


AS TROMBETAS
(Salmos 150:3)

O otimismo é diamante,
o pessimismo, cascalho...

O otimismo é força indômita,
o pessimismo, indolência...

O otimismo é perseverança,
o pessimismo, fracasso...

O otimismo é esperança,
o pessimismo, letargia...

O otimismo é alegria,
o pessimismo, tristeza...

O otimismo são trombetas
salmodiando o Rei dos Reis,
Deus em você!

Débora Novaes de Castro
in Um Vaso Novo..., p.20

***

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